domingo, agosto 10, 2008

"Aventura na ponta dos pés"


Aventura na ponta dos pés
por: Filipe Gonçalves

A manhã calma daquela quinta-feira foi propícia para a prática de 'canyoning'. É uma actividade que está a cativar vários madeirenses e também turistas. E nós fomos experimentá-la.

O objectivo é o de percorrer uma determinada distância, sempre pelo leito de uma ribeira tendo como orientação um percurso de água.

O passeio pelo interior da natureza passa por mergulhar em águas frescas, ao lado de trutas; inclui descidas em rappel com 15 a 20 metros; faz parte também saltar para pequenos lagos.

A aventura e a descoberta deste desporto começou bem cedo, por volta das 9h30, para um jornalista, duas guias turísticas (Neuza e Mara) e o formador Nuno Freitas.

O percurso escolhido foi o mais simples, mas com uma beleza indescritível. A descida da 'Ribeira das Cales' iniciou-se junto ao portão Norte do Chão da Lagoa e terminou junto ao Centro de Recepção do Parque Ecológico do Funchal.

O primeiro contacto com a actividade fez-se ao percorrer um trilho com muita vegetação. São os pés que comandam. É fundamental sentir firmeza no solo que se está a pisar. Caso contrário as escorregadelas são inevitáveis.

Mara e Neuza sabem de cor o nome de todas as plantas. São guias que mostram aos turistas as belezas da nossa terra.

Mara é também praticante assídua do 'Canyoning' ou 'Aguagens' como Nuno Freitas quer que a actividade passa a ser denominada. São cerca de 30 os praticantes do 'canyoning' na Madeira, mas pode haver mais, assegura o jovem Nuno, com formação em 'canyoning', em auto-resgate em 'canyoning' e detentor do Curso de Socorrismo FOR pela Cruz Vermelha Portuguesa. As questões de segurança estavam então salvaguardadas.

Para a realização da actividade é necessário pedir permissão à Direcção Regional de Florestas, desde que o percurso seja efectuado num perímetro florestal.

Nuno Freitas é um amante da actividade e faz percursos de canyoning em regime de freelance para um empresa de desportos de aventura.

Os quatro aventureiros entraram logo no espírito da actividade: atravessar ribeiras devidamente equipadas, descer algumas rochas através de rappel, e por fim, utilizar a energia que restava para saltar para as lagoas.

Em determinadas zonas do 'canyoning' pode-se nadar a 1.400 metros de altitude com a temperatura da água a rondar os 13 graus. Mas o fato completo em neoperene (ver infográfico) protege-nos do frio.

Foram necessárias cerca de 3 horas para percorrermos a totalidade da 'Ribeira das Cales'. No final: o desânimo. "Já terminou", reclamamos.

Dá vontade de repetir a experiência. Apesar do esforço que é necessário imprimir durante a descida em rappel, o corpo parece ter gostado e não reclama. É através do blog www.canyoningmadeira.blogspot.com, criado por Nuno Freitas, que se pode aceder a toda a informação sobre os itinerários dos 'canyoning' que existem na ilha da Madeira. Há também um DVD não comercial que inclui fotos e vídeos de diversos itinerários de 'canyoning'. Nuno Freitas até já fez questão de oferecer um exemplar ao presidente do Governo Regional.

É no final da década de 80 que a actividade surge na Região pelas mãos de um grupo de franceses liderado por Fréderic Feu da empresa de turismo de aventura 'Atalante'. Nessa altura, o grupo equipou a ribeira do Ribeiro Frio e a Ribeira das Cales. Nos anos 90 , a actividade é praticada por madeirenses que também abrem outros itinerários.

Quanto ao equipamento das ribeiras é de destacar o trabalho realizado pelo francês Antoine Florin que desde a primeira visita à Região, em 2000 equipou vários itinerários, contabilizando até à data cerca de 37 canyons que este ano deram origem a um livro de sua autoria: 'Canyons de Madère'.


crónica: Ao sabor da natureza...

O ar puro que se respira em plena Ribeira das Cales faz esquecer o 'stress' diário a que está submetido um jornalista. Mas a nossa profissão tem muitas regalias.

Além do contacto privilegiado com a informação há também as experiências que nos são sugeridas. Praticar canyoning nunca fez parte dos meus planos. Até um dia... O medo ou receio são palavras que nunca fizeram parte do meu conjunto lexical. E foi de espírito aberto que me dediquei a experimentar o canyoning. O mesmo com que foi recebido pelo Nuno, pela Mara e a Neuza.

Além do convívio que se proporciona enquanto se desce as águas limpas e frescas da Ribeira das Cales, há todo um conjunto de dicas importantes que me foram apresentadas. Mas a melhor parte é a descida em 'rappel'. Acabamos por fazer parte da água que cai em cascata. Um banho que nos rejuvenesce e faz esquecer o stress da nossa profissão. Aconselho a todos (desde que saibam nadar e não tenham vertigens) estas três horas de plena aventura, recheada de emoção e com um contacto privilegiado com o melhor de uma Madeira ainda por descobrir.


Equipamentos o que usar para a prática

Capacete - Peça essencial e de uso obrigatório: a regra é a de nunca tirar da cabeça. Protege contra a queda de pedras e choques contra a parede.
Fato completo em Neoperene - Ajuda a manter a temperatura do corpo. Há uma dica importante a ser seguida: sempre que entrar água nunca deve ser retirada.

Arnês - Utilizado na descida em 'rappel', terá de ter também o mosquetão e o 'oito'.
Boião - Fundamental para colocar a máquina fotográfica, porta-moedas e telemóveis.

Sapatilhas - Ter em atenção o tipo de calçado usado: terá de ser confortável.

Números

30 - Alguns dos praticantes estão ligados ao 'Clube Naval do Seixal', outros ao 'Clube Aventura da Madeira' e outros não integram qualquer clube como é o caso de Nuno Freitas.

2 - Segundo o sítio oficial do Turismo há duas empresas através da qual é possível praticar canyoning: 'Terras de Aventura' e a 'Ventura do Mar'.

60€ - É o preço médio que custa praticar a actividade. O valor já inclui todo o material que é fornecido pela empresa.

16 - O praticante tem acima dos 16 anos, desde que sejam acompanhado pelos pais ou com a autorização.

Gonçalves F. (2008, 10 de Agosto) Aventura na ponta dos pés, Diário de Noticias pp. 4-5.

Fotos:


Fotos de: Nuno Freitas

3 comentários:

omadeirense disse...

Não percebi... mas já és alguma entidade competente para quereres renomear um desporto??

Aguagens é um "bairrismo" madeirense, pois penso eu que vem do madeirense pois se for num âmbito mais genérico significa uma coisa totalmente diferente!!

FORMADOR??? LOL

Desde quando??


e como sempre já sei que não vais publicar o comentário, o que só mostra a tua falta de caracter e fraca personalidade!

Nuno Emanuel Mendes Freitas disse...

Não costumo comentar certos comentários deste tipo mas hoje não resisti....

Acho engraçado fazer este tipo de comentários sem me conhecerem.

Gosto ainda mais quando têm medo de dizerem quem são, e então escondem-se por detrás de pseudónimos, como é que se diz "falta da Carácter", e "fraca personalidade" penso que é isso.

Só para acrescentar...
Há dois anos que o blog Canyoning Madeira existe e eu por detrás do mesmo, e desde essa altura sempre fez confusão a muita gente, mas há que dê o valor, e isso verificou-se nesta reportagem.

Para concluir, desejo ao proprietário deste pseudónimo "o madeirense" muita sorte na vida, e que a vida lhe sorria.

Abraço
Nuno Freitas

Anónimo disse...

Canyoning Madeira, como sabes vivemos numa democrácia onde toda a gente pode comentar as suas ideias...mas tambem esqueçem-se que muitas delas não têm qualquer valor...

Continuação de bons canyonings e namtenha o seu Blog actualizado.

Permissão para a realização de actividades de Montanha

Para realizar canyoning, escalada ou outra actividade de montanha em perímetro florestal que não sejam os passeios a pé, é necessário pedir licença à Direcção Regional de Florestas. Fica aqui o aviso, a todos os amantes destas actividades, para que não fiquem espantados quando forem impedidos de realizar as mesmas. Atenção quando pedirem as licenças para realizar canyoning têm de ser usar o nome original da ribeira que vão descer, e não outro nome, ou estrangeirismos.

Referencias à Canyoning Madeira na comunicação social

“Há um novo paraíso no Atlântico”
"De uma vasta lista, e de acordo com a página da internet http://canyoningmadeira.blogspot.com/, o canyoning pode ser praticado nas Ribeiras do Seixal, na Ribeira Funda, da Hortelã, do Alecrim, das Cales, da Pedra Branca, da Água Negra, do Inferno, entre muitas outras. Neste sítio da “net”, o responsável informa a necessidade de pedir autorização à Direcção Regional de Florestas para a prática da modalidade." in Jornal da Madeira - Suplemento Revista olhar em 2007-09-08
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Canyoning in the heart of Madeira
"As with most other sports on Madeira, canyoning is practiced by a few dedicated members of the local population to the imagination of the international tourist. Taking that into account, the pastime has a lot of potential. Indeed, those who practice canyoning are unanimous in the belief that Madeira is blessed as a location for this unusual, adventure sport. Canyoning only reached Madeira in 1989, when two French explorers led by Frédéric Feu mapped and opened the island’s first routes. For about ten years the situation hardly changed. Then in 2002 a group of continentals arrived, including Francisco Silva, and a couple of Frenchmen-one of which, Antoine Florin who published Madeira’s only Canyon Guide in February 2003, and a group of locals, who by then were already practicing the sport on a regular basis. Each foray into the mountains opened up new routes and an era of discovery dawned on an island that seemed boundlessly blessed with the ability to surprise. Reports of these experiences described a condensed island, with an impressive variety of canyoning routes. They spoke of incredible scenery, a multitude of lakes shaded by lush vegetation, countless waterfalls, and vertical walls reaching 70 meters in height ending at the sea’s edge. Equally noted was Madeira’s mild climate, enabling descents throughout the year, and also the volcanic nature of canyoning on the island, setting it apart from the usual limestone and granite itineraries in the rest of Europe. Such excellent conditions clearly indicated the emotional rush the island could offer canyoners and it was no surprise that word soon spread around the canyoning community. The foundations had been laid for the sport’s commercialization. Although the Ribeiro Frio, located in the Areeiro area, is the most popular canyoning destination for enthusiasts, many other routes have already been mapped out, primarily for the use of experienced canyoners. Therein lies the problem, the lack of many simple canyoning routes that are ideal for novices to the sport, laments Francisco. For more information visit http://www.madeiratourism.org/; www.adesnivel.pt/canyoning/historia_do_canyoning.html and www.canyoningmadeira.blogspot.com/ "
Artigo retirado do site http://www.insideportugaltravel.com/